A Fábrica de Salga de Peixe de Cacilhas foi descoberta, em 1981, no decurso de obras de saneamento. O complexo industrial, testemunho da presença romana no concelho de Almada, assumia vocação centrada na produção de preparados de peixe, sendo composto por, pelo menos, quinze tanques ou
cetárias, organizados em torno de um pátio central revestido por argamassa e brita que servia como área de trabalho e de acesso ao interior dos reservatórios.
A fábrica funcionava a céu aberto, favorecendo a livre circulação de ar, com telhado cerâmico pendente que protegia os tanques. Desconhecendo-se o período exato de funcionamento, estima-se que tenha sido construída no século I d.C., mantendo-se em atividade até aos séculos IV ou V.
A fábrica de Cacilhas inseria-se em extensa rede de produção que incluiria núcleos adjacentes assinalados na Rua Carvalho Freirinha e também no Porto Brandão (Caparica). Embora em menor escala quando comparada com a dinâmica industrial da margem norte, contribuiria para o seu abastecimento, produção e posterior expedição. O fornecimento de pescado, sal, especiarias e
ânforas de transporte eram fundamentais para que o complexo de Cacilhas pudesse manter o ritmo e contributo, através da conjugação, em particular, com os complexos produtores de sal e de
ânforas, amplamente distribuídos pelo estuário do Tejo, a par da evidente abundância de peixe no rio.
A situação permanece indefinida após abandono. Entulhos no interior das
cetárias e a identificação de uma lareira, restos alimentares e cerâmica pintada de inspiração muçulmana reforçam a ideia de permanência durante o século XIII, prolongando-se esta a Período Contemporâneo.
Atualmente, protegido por estrutura em vidro ao nível da calçada, o núcleo integra a paisagem urbana de Cacilhas, podendo os visitantes aceder no local a recursos multimédia que facilitam a interpretação do sítio arqueológico.