Séculos I d.C.- V d.C.

Complexo de produção de preparados piscícolas (Cacilhas)

A Fábrica de Salga de Peixe de Cacilhas foi descoberta, em 1981, no decurso de obras de saneamento. O complexo industrial, testemunho da presença romana no concelho de Almada, assumia vocação centrada na produção de preparados de peixe, sendo composto por, pelo menos, quinze tanques ou
cetárias
, organizados em torno de um pátio central revestido por argamassa e brita que servia como área de trabalho e de acesso ao interior dos reservatórios.

A fábrica funcionava a céu aberto, favorecendo a livre circulação de ar, com telhado cerâmico pendente que protegia os tanques. Desconhecendo-se o período exato de funcionamento, estima-se que tenha sido construída no século I d.C., mantendo-se em atividade até aos séculos IV ou V.

A fábrica de Cacilhas inseria-se em extensa rede de produção que incluiria núcleos adjacentes assinalados na Rua Carvalho Freirinha e também no Porto Brandão (Caparica). Embora em menor escala quando comparada com a dinâmica industrial da margem norte, contribuiria para o seu abastecimento, produção e posterior expedição. O fornecimento de pescado, sal, especiarias e
ânforas
de transporte eram fundamentais para que o complexo de Cacilhas pudesse manter o ritmo e contributo, através da conjugação, em particular, com os complexos produtores de sal e de
ânforas
, amplamente distribuídos pelo estuário do Tejo, a par da evidente abundância de peixe no rio.

A situação permanece indefinida após abandono. Entulhos no interior das
cetárias
e a identificação de uma lareira, restos alimentares e cerâmica pintada de inspiração muçulmana reforçam a ideia de permanência durante o século XIII, prolongando-se esta a Período Contemporâneo.

Atualmente, protegido por estrutura em vidro ao nível da calçada, o núcleo integra a paisagem urbana de Cacilhas, podendo os visitantes aceder no local a recursos multimédia que facilitam a interpretação do sítio arqueológico.
Adicionar ao percurso
Visitável

Audiovisuais

Fábrica romana de salga de peixe de Cacilhas

Tipologia

Preparados piscícolas

Intervenções arqueológicas

1984; 1987; 1997; 2001; 2008

Sugestões de Leitura

Amaro, C. (1987) - A Presença Romana na Margem Esquerda do estuário do Tejo. In Silva, A. (eds.) - Arqueologia no Vale do Tejo. Lisboa: Departamento de Arqueologia do IPPC, p. 92.

Amaro, C. (1990) - Ocupação Romana da Margem Sul do Estuário do Tejo: um (des)alinhar de ideias. In Alarcão, A.; Mayet, F., (eds.) - Ânforas Lusitanas. Tipologia, produção, comércio. Actas das Jornadas de estudo (Conimbriga 1988). Coimbra: Museu Monográfico de Conimbriga. Paris: De Boccard, p. 81.

Antunes, L. P.; Gomes, M. F. (1985) - Intervenções de Salvamento em Almada. In Actas do I.º Encontro Nacional de Arqueologia Urbana. Setúbal: Departamento de Arqueologia do IPPC, pp. 75-77.

Barros, L. (1982) - Cacilhas, uma Experiência de Arqueologia Urbana. Al-Madan. Almada: Centro de Arqueologia de Almada. S1, 0, pp. 34-35.

Barros, L. (1994) - Fábrica Romana de Salga de Peixe de Cacilhas. Informação Arqueológica. Lisboa. 9, pp. 136-138.

Morada

Largo Alfredo Dinis, Cacilhas, Almada

Código de identificação

LxR1503001